O RETIRANTE RESOLVE APRESSAR OS PASSOS PARA CHEGAR LOGO AO RECIFE
—— Nunca esperei muita coisa,
digo a Vossas Senhorias.
O que me fez retirar
não foi a grande cobiça
o que apenas busquei
foi defender minha vida
de tal velhice que chega
antes de se inteirar trinta
se na serra vivi vinte,
se alcancei lá tal medida,
o que pensei, retirando,
foi estendê-la um pouco ainda.
Mas [...]
Arquivo da categoria ‘Poesia’
Poesia – João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina – Parte IX
Publicado em Poesia, etiquetado João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, Poesia em Outubro 31, 2009 | Deixar um comentário »
Poesia – João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina – Parte VIIÌ
Publicado em Poesia, etiquetado João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, Poesia em Abril 30, 2009 | 4 Comentários »
ASSISTE AO ENTERRO DE UM TRABALHADOR DE EITO E OUVE O QUE DIZEM DO MORTO OS AMIGOS QUE O LEVARAM AO CEMITÉRIO
Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.
é de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
neste latifúndio.
Não é cova grande.
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida. [...]
Poesia – João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina – Parte VII
Publicado em Poesia, etiquetado João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, Poesia em Setembro 19, 2008 | Deixar um comentário »
O RETIRANTE CHEGA À ZONA DA MATA, QUE O FAZ PENSAR, OUTRA VEZ, EM INTERROMPER A VIAGEM
Bem me diziam que a terra
se faz mais branda e macia
quando mais do litoral
a viagem se aproxima.
Agora afinal cheguei
nesta terra que diziam.
Como ela é uma terra doce
para os pés e para a vista.
Os rios que correm aqui
têm água [...]
Poesia – João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina – Parte V
Publicado em Poesia, etiquetado João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, Poesia em Junho 14, 2008 | Deixar um comentário »
CANSADO DA VIAGEM O RETIRANTE PENSA
INTERROMPÊ-LA POR UNS INSTANTES
E PROCURAR TRABALHO ALI ONDE SE ENCONTRA.
—— Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa,
só a morte deparei
e às vezes até festiva
só a morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de vida severina
(aquela vida que é menos
vivida que defendida,
e é ainda [...]
Poesia – João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina – Parte IV
Publicado em Poesia, etiquetado João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, Poesia em Junho 3, 2008 | Deixar um comentário »
NA CASA A QUE O RETIRANTE CHEGA ESTÃO CANTANDO EXCELÊNCIAS PARA UM DEFUNTO, ENQUANTO UM HOMEM, DO LADO DE FORA, VAI PARODIANDO A PALAVRAS DOS CANTADORES
—— Finado Severino,
quando passares em Jordão
e o demônios te atalharem
perguntando o que é que levas..
—— Dize que levas cera,
capuz e cordão
mais a Virgem da [...]
Poesia – João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina – Parte III
Publicado em Poesia, etiquetado João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, Poesia em Maio 24, 2008 | 1 Comentário »
O RETIRANTE TEM MEDO DE SE EXTRAVIAR POR SEU GUIA, O RIO CAPIBARIBE, CORTOU COM O VERÃO
—— Antes de sair de casa
aprendi a ladainha
das vilas que vou passar
na minha longa descida.
Sei que há muitas vilas grandes,
cidades que elas são ditas
sei que há simples arruados,
sei que há vilas pequeninas,
todas formando um rosário
cujas contas fossem [...]
Pablo Neruda – Pido Silencio
Publicado em Poesia, etiquetado Pablo Neruda, Pido Silencio, Poesia em Maio 7, 2008 | Deixar um comentário »
Ahora me dejen tranquilo.
Ahora se acostumbren sin mí.
Yo voy a cerrar los ojos
Y sólo quiero cinco cosas,
cinco raices preferidas.
Una es el amor sin fin.
Lo segundo es ver el otoño.
No puedo ser sin que las hojas
vuelen y vuelvan a la tierra.
Lo tercero es el grave invierno,
la lluvia que amé, la caricia
del fuego en el [...]
Poesia – João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina – Parte II
Publicado em Poesia, etiquetado João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, Poedia em Abril 13, 2008 | 2 Comentários »
ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO UM DEFUNTO NUMA REDE, AOS GRITOS DE “Ó IRMÃOS DAS ALMAS! IRMÃOS DAS ALMAS! NÃO FUI EU QUE MATEI NÃO!”
— A quem estais carregando,
irmãos das almas,
embrulhado nessa rede?
dizei que eu saiba.
— A um defunto de nada,
irmão das almas,
que há muitas horas viaja
à sua morada.
— E sabeis quem era ele,
irmãos [...]
Poesia – João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina – Parte I
Publicado em Poesia, etiquetado João Cabral de Melo Neto, morte, Poesia, severina em Abril 6, 2008 | 1 Comentário »
Morte e vida Severina
O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI
— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos [...]
Poesia: A Árvore da Serra – Augusto dos Anjos
Publicado em Poesia, etiquetado A Árvore da Serra, Augusto dos Anjos, Poesia em Março 20, 2008 | 1 Comentário »
A ÁRVORE DA SERRA
- As árvores, meu filho, não têm alma!
esta árvore me serve de empecilho…
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!
- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros… no junquilho…
Esta árvore, meu pai, possui [...]
Poesia: Depus a Máscara – Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)
Publicado em Poesia em Março 7, 2008 | 2 Comentários »
Depus a máscara e vi-me ao espelho. —
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada…
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.
