O nosso estado está debaixo d’água. Muitas cidades sofrem com enchentes que, fazia tempo, não apareciam por lá. As políticas públicas nunca chegaram por lá. Se não chove sofre muito, se chove sofre muito também. As políticas que chegam não estão preparadas para os extremos: se passar muito tempo sem chover, as cidades entram logo em colapso pela falta de água e a indústria do carro-pipa fatura alto; se tiver chuva demais, afeta o abastecimento de água, mesmo tendo água até o pescoço. É demais!
Não existe uma política educacional consistente para utilizar a água (hoje em abundância) de forma racional, que seja reaproveitada em todas as maneiras possíveis. Não. Mas as cisternas estão cheias, dirão outros. Claro! São as únicas fontes de armazenamento de água que muitos dependem. Não sustentam uma estiagem mais duradoura.
A média de consumo de água do paraibano está bem abaixo da média estipulada pela ONU. Mesmo se todos os açudes do estado estiverem com suas capacidades máximas, não darão conta do mínimo necessário.
O que fazer então? Rezar por São José? Pedir a Deus chuva, mas não tanta que minha terra não agüenta ou pedir políticas realmente eficazes de estruturas mínimas para aproveitar a água que cai?
E as barragens, agüentam? Já há notícias de rompimento. Cada rompimento desse é um sorriso na cara de empreiteiro; cada rompimento desse, famílias são deslocadas de suas casas, enquanto empreiteiros e maus servidores públicos faturam na proporção da água que cai e estão em suas casas seguras, longe de um rompimento, longe de uma família que está na margem da morte.
Camará parece não ter servido de lição para nossos políticos, os de hoje e os de ontem. Nem serviu de lição a muitos eleitores que entram nos conchavos políticos em troca de comida, cargo, dinheiro, e a vida e esquecem o passado recente da política paraibana.
Enquanto estamos mergulhados nas águas de março, nossos políticos deveriam estar mergulhados de vergonha na cara e comparecer ao trabalho para realizar e propor idéias concretas para o estado, não encher uma sessão da assembléia e se embelezar para aparecer na televisão para dar diplomas a empresários ricos.
Se molhem de vergonha, pelo menos!!!!
